As brincadeiras de dona Zulmira com os provérbios
Zulmira Braga nunca teve pretensões de fazer poesia. Ao contrário, embora sempre admirando autores como Hermes Fontes, Casemiro de Abreu ou o paranaense Leonardo Henke, sua vida sempre esteve ligada as atividades de funcionária da Procuradoria da Secretaria da Fazenda e dedicação a sua mãe, dona Marieta Brandão Braga (1888-1974). Quando sua mãe adoeceu gravemente, vitima de um derrame cerebral, e a avançada idade de sua irmã, Maria Herminia (1914-1985) lhe exigiu maiores cuidados, se aposentou do serviço público e passou a dedicar-se exclusivamente ao atendimento familiar.
Uma vida, assim, dedicada ao próximo - solteira, viu nascer e crescer inúmeros sobrinhos que também ajudou a criar - nos últimos anos dona Zulmira para preencher sua solidão teve uma idéia com toques de nostalgia: lembrando-se dos provérbios que seu pai, Antônio Turibio Teixeira Braga (1872-1947), juiz de Direito, costumava repetir, ela passou a acrescentar a cada um, rimas, e trechos de canções, pensamentos e forma de versos e finalidade, finalmente, mesmo pequena divagação poética.
Nasceram, assim, os primeiros textos de "Brincando com os Provérbios" que foram se acumulando despretensiosamente. Algumas sobrinhas gostaram e passaram a insistir para que os reunisse num livro, o que acabou fazendo há dois anos ("Brincando com os Provérbios", Elma Editora, 346 páginas). Só que a produção já era tão grande que o livro saiu com a observação de "Primeiro Volume".
Agora, com mais 1.030 provérbios, está saindo o segundo volume, "um trabalho trabalhado, no qual procurei ajustar o pensamento de cada provérbio sugerindo". Meticulosa, dona Zulmira pesquisou inclusive os autores de muitas canções cujos versos integrou a tantos ditos populares, aproveitando para fazer corrigendas ao primeiro volume.
Em torno de cada provérbio - "e eles são linhares, espalhados na cultura popular" explica, dona Zulmira deu seu toque pessoal, num trabalho de ternura e emoção. Uma jovem de espírito em seus 72 anos, cercado do carinho de muitos amigos e parentes - entre seus irmãos está o desembargador Marino Bueno Brandão Braga, que também está publicando um livro - no caso de crônicas memorialísticas de sua longa vida na Justiça - dona Zulmira conserva uma grande modéstia.
Em 1989 "Brincando com os Provérbios" foi distribuído apenas nos círculos familiares e afetivos, descartando a autora qualquer lançamento badalativo. Agora, convencida da importância deste seu trabalho está disposta a sair de seu casulo familiar e comparecer a uma tarde de autógrafos, embora em sua ternura de mulher que sempre se dedicou ao próximo deteste qualquer ato de vaidade.


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