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Aramis

Cinema para ler - "Nunca te Vi... Sempre te Amei", ao menos em livro

Considerado um dos 10 melhores filmes exibidos no Brasil em 1988, cult movie desde que chegou nas telas do Rio-São Paulo no primeiro semestre do ano passado, "Nunca te Vi... Sempre te Amei" tem ainda um grande público em potencial em Curitiba. Exibido apenas uma semana no Bristol, poderia ter continuado em cartaz em alguma das salas da Fucucu se na pretensão que caracteriza os programadores do circuito oficial não tivessem grosseiramente, desprezado esta produção classe A. Posteriormente, o mesmo "assessor" (que tanto tem prejudicado a programação da Fucucu) ao invés de fazer a reprise de "Nunca te Vi... Sempre te Amei" numa das salas centrais, colocou-a no distante Cine Guarani. Ali, teve renda baixíssima. O pesquisador e consultor de vídeo Aníbal Marques conta que foi três vezes tentar assisti-lo e as sessões eram canceladas por falta de público. Claro! Um filme como "84 Sharing Cross Road" se destina a uma sala especial e não para um distante cinema de bairro. Assim, enquanto seu relançamento depende de uma urgente reforma no setor de cinema da Fucucu (que preocupa, aliás o prefeito Jaime Lerner, um bom cinéfilo) e a edição do filme em vídeo ainda não está programada, resta o consolo de ler o livro "Nunca te Vi... Sempre te Amei" (Casa Maria Editorial/Ao Livro Técnico, 251 páginas, 1988). Distribuído em Curitiba por Ao Livro Técnico, dos atenciosos irmãos Joaquim e Manoel Carrachaz Guerreiro, o livro no qual foram reunidos dois textos de Helene Hanff - o "84 Sharing Cross Road" e "A Duquesa de Bloomsbury", marcou o aparecimento de uma nova (e sofisticada) editora - a Casa Editorial, que já fez outro lançamento, também destinado aos fãs do cinema: "Fred Astaire - Uma Vida Maravilhosa", de Bill Adler (também possível de ser encontrada em Ao Livro Técnico, na sua matriz, Rua 13 de Maio 218 ou filial no Shopping Center Itália). Livro autobiográfico de Helene Hanff que deu origem ao filme "Nunca te Vi... Sempre te Amei", dirigido por David Jones, com Anne Bancroft e Anthony Hopkins (melhor ator/Festival de Moscou-1987), é mais do que um simples material que possibilitou a realização de uma obra magnífica. "84 Sharing Cross Road" reúne a correspondência entre Helene Hanff e o livreiro inglês Frank Doel - base do filme - mas nesta edição (bela tradução de Raymundo de Araújo) foi incluída também a continuação da história, com a concretização da sonhada viagem de Helene Hanff à Inglaterra, com o título de "A Duquesa de Bloomsbury". Fins dos anos 40. O anúncio num jornal de Nova Iorque era da livraria Marks & Co., na 84 Sharing Cross Road, Londres, que oferecia livros raros de segunda mão. Helene Hanff, jovem escritora, sem condições de adquirir tais livros, que amava ler, responde à oferta. A resposta de um dos funcionários de Marks & Co., Frank Doel, gera outra carta, outra encomenda. Dá-se o início de uma forte relação com o dedicado funcionário e com todos aqueles que fazem parte de seu mundo. São trocas de cartas e emoções. A força da personalidade inquieta e sutil de Helene, provocando e cativando o discreto Doel. Esta é uma crônica de uma relação de amor desenvolvida ao longo de 20 anos, numa narrativa epistolar - técnica que mesmo sem ser original ("A Cor Púrpura", de Alice Walker, levada ao cinema por Steven Spielberg, também é nesta fórmula) tem uma ternura impressionante. Tanto é que a atriz Anne Bancroft se apaixonou pelo livro e convenceu seu marido, Mell Brooks, a produzir o filme, cuja direção foi confiada a David Jones, uma revelação. George Fenton criou uma trilha sonora magnífica (editada no Brasil pela SBK Songs, distribuição CBS), também incluída entre os 10 melhores do ano ("Almanaque", 08/01/89). A leitura deste livro é um prazer que complementa a emoção de um filme "delicado como um velho pergaminho que emociona como a boa poesia" (Susana Schild, no Jornal do Brasil, 15/01/89). Sérgio Augusto, na Folha de São Paulo, escreveu: "ainda não encontrei ninguém que não tivesse gostado do filme e não usasse um desses três adjetivos - delicado, carinhoso, diferente - para explicar a sua admiração". Assim é o livro: delicado, carinhoso, diferente. Helene Hanff é escritora norte-americana e autora de peças teatrais. Além dos 2 livros reunidos neste volume, já publicou "Apple of my Eye", "Q's Legacy", "Underfoot in Show Business" e "The Movers and Shakers". Helene escreveu também livros para crianças e artigos no New Yorker e Harper's. Suas peças foram publicadas no The Halmark Hall of Fame e Ellery Queen.
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
Almanaque
Nenhum
8
19/01/1989

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