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Aramis

... E ninguém ficou de pé (afinal na tela)

Depois de permanecer quase dois anos no Departamento de Censura Federal, aguardando sua liberação, o filme "... E Ninguém Ficou em Pé" tem um inexpressivo e quase anônimo lançamento em Curitiba (cine Glória, a partir de hoje, 4 sessões), quando poderia ter uma grande promoção. Afinal, é uma produção paranaense, rodada em Campo do Tenente, e financiada por dois curitibanos - o sr. Florisval Lopes, da ex-Reflivo, hoje representante das produções distribuídas por Max Hirsh, e o comerciante Leo Gasparin, o gordo proprietário do Chopão-70 e da boate Gallo's na Rua Cruz Machado. xxx Escrita, dirigida e com cenografia de José Vedovato, 48 anos, um dos mais simpáticos homens de cinema que já viveu em Curitiba, "... E Ninguém Ficou de Pé" é o exemplo da subcondições de produção cinematográfica tupiniquim. Vedovato, que ficou em Curitiba em 1964, após aqui ter auxiliado ao paulista Nelson Teixeira Mendes a rodar o calamitoso "O Diabo de Vila Velha" (que teve nada menos que três diretores, incluindo José Mogica Marins e Ody Frega), trabalhou algum tempo como cenógrafo da então empresa H. Oliva, fez uma [experiência] de cinema de animação associado ao coronel Rubens Mendes de Moraes e o desenhista Castro Alves, após ter sido um dos braços direitos de Moraes em outra difícil (mas honesta) experiência de cinema paranaense: "Maré Alta", rodado na Ilha das Cobras, de um roteiro de Carlos Eduardo Cotrim (um velho senhor, tranqüilo representante de explosivos e que na juventude havia feito alguns filmes, como ator, na Cinédia), que acabou se desentendendo com a equipe, Julio Kruger, da Guaíra, também participou daquela produção, mas igualmente acabou brigando. Apesar destas dificuldades, Vedovato não desanimou: conseguiu convencer a Florisval Lopes a financiar uma comédia chamada "As Aventuras de Flip e Flop", com os irmãos Queirolo que, embora concluída, até hoje não obteve o certificado de boa qualidade do Instituto Nacional do Cinema. Bang-bang caboclo, rodado em Campo-do-Tenente, como uma típica cidade-fantasma, "... E Ninguém Ficou de Pé" reúne vários atores e atrizes da cidade, além de ter a colaboração da equipe do "Tele-Cath" para as [seqüências] de pancadaria. Independente da apreciação crítica, é uma fita paranaense, feita com amor & sacrifício por pessoas honestas, que assumem as suas experiências. Lamentável apenas que o seu lançamento seja feito tão inesperadamente, sem qualquer promoção prévia. Por mais defeitos que a fita apresente, merecia melhor sorte do que passar quase desapercebida no cine Glória, onde até ontem a Warner, toda poderosa, reprisava o seu diabo-dos-ovos de ouro: "O Exorcista".
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
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Tablóide
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27/02/1975

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