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Aramis

Para entender melhor a contribuição italiana

A professora Cecília Maria Westphalen, diretora do Departamento de História de Universidade Federal do Paraná, embarca para Portugal na próxima semana. Vai para o lançamento de um novo livro - "História do Brasil Colônia, Império e República", edição da Universidade Portuguesa, da cidade do Porto, com lançamento do dia 15 de abril. Obra desenvolvida em colaboração com suas colegas Márcia Elisa de Campos Graf e Maria Beatriz da Silva (esta, da Universidade de São Paulo e atualmente residindo em Portugal), o livro é resultado de quatro anos de pesquisa. xxx Enquanto o livro da professora Cecília sai em Portugal, "A Presença Italiana no Brasil" (Fondazione Giovanni Agnelli / Escola Superior de Tecnologia, 740 páginas) saiu, em seu segundo volume, sem incluir a contribuição que a principal colega da professora Cecília - a mestre Altiva Pilatti Balhana - levou no seminário realizado em Vitória, entre os dias 24 e 28 de outubro de 1988 - e que resultou neste básico livro para se entender melhor a presença dos imigrantes italianos em nosso país. O professor Luís De Boni, de Porto Alegre, coordenador do seminário - promovido pela Fondazione Giovanni Agnelli, Universidade Federal do Espírito Santo e Clube Italo-Brasileiro de Vitória - e organizador do volume agora em circulação, justifica, na introdução, que dois importantes trabalhos levados ao encontro não foram aproveitados. O da professora Altiva Pilatti Balhana, principal estudiosa da colonização italiana no Paraná, fez uma comunicação sobre "A Cestaria do Vime em Santa Felicidade", mas como o texto veio acompanhado de um filme realizado na década de 50 e só agora transposto para o videocassete, De Boni achou melhor suprimi-lo. O outro trabalho excluído foi o que o Dr. Douglas Pupin apresentou, abordando "A Música da Imigração - Assim Cantava a Nona", que foi suprimido pois, na ocasião do seminário, o autor levou seu trabalho em palco, dirigindo para tanto um coral que entrou com as músicas dos imigrantes, inclusive o Réquiem das cerimônias fúnebres. Se faltaram estes dois trabalhos, nem por isto este livro perde o interesse: 40 comunicações de professores e pesquisadores - a maioria de centros universitários - do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraíba e até do Maranhão, levaram contribuições das mais interessantes para se valorizar melhor a contribuição do italiano em nosso país. O diretor da Fondazione Giovanni Agnelli, Sr. Marcello Pacini, lembra que há seis anos, esta instituição mantida pela Fiat - e com sede em Turim - já havia patrocinado no Rio Grande do Sul um pioneiro simpósio semelhante, do qual resultou um volume homônimo (que aqui registramos na época). Há 3 anos, em colaboração com a Universidade do Espírito Santo e o Clube Italo-Brasileiro de Vitória, foi realizado o segundo encontro, que resultou num vigoroso documento com estudos que incluem aspectos da imigração, diplomacia, agricultura, política, economia e cultura em nosso país. Por exemplo, há detalhadas análises sobre as comunidades italianas no Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Minhas Gerais e Espírito Santo, enquanto que nos estudos relativos aos estados do Sul (com exceção do Paraná, no qual houve apenas a solitária contribuição da professora Altiva) há detalhamentos, com a presença dos imigrantes na abolição, através do trabalho da professora Maria Thereza Petrone, um estudo de Oswaldo Truzzi sobre imigrantes nas indústrias em São Carlos e o delicioso ensaio sobre a italianidade paulista em "Achiropita, Fettucine e Vinho". O Rio Grande do Sul também é esmiuçado em suas relações com os italianos, enquanto que aspectos culturais são desenvolvidos em contribuições como a da professora Rozelys Izabel dos Santos, da Universidade de Santa Catarina, que estudou "A Emigração Italiana através dos Periódicos" (1875/1899); os dialetos italianos e sua preservação, vistos nos estudos de Ciro Mioranza e Pasquale Patrone; a presença dos artistas plásticos peninsulares estudados por Diva Benevides Pinho, da USP e Francisco Macedo, de Porto Alegre; a arquitetura típica dos italianos tem apreciações dos arquitetos Eduardo Carlos Pereira e César Floriano. No encerramento, um dos mais respeitados nomes do jornalismo gaúcho, o veterano crítico Paulo F. Gastal, em 34 páginas, vai a fundo para mostrar quem foram os "Pioneiros Italianos do Cinema Brasileiro", enquanto o jurista Miguel Reale aborda "O Direito Italiano na Cultura Brasileira". Obra básica para se compreender melhor o valor do povo italiano, este volume tem circulação dirigida nas entidades e estudiosos comprovadamente interessados podem solicitar a Rua Frederico Guilherme Gaelzer, 65 - fone (0512) 34-8944, Porto Alegre. LEGENDA FOTO - Cecília Westphalen: novo livro editado em Portugal.
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
Almanaque
Tablóide
3
31/03/1991

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