Romântico Elymar, distante da fumaça das churrascarias
Elymar Santos era um cantor das churrascarias da Zona Norte do Rio de Janeiro que se cansou da fumaceira e gordura dos ambientes que lhe garantiam a carne nossa de cada dia. Assim, há 4 anos, vendeu seu modesto apartamento financiado pelo BNH e o fusqueta 1975, e, vejam só, procurou o dono do Canecão, a maior casa de espetáculos do Rio de Janeiro, propondo alugá-lo por uma noite. Conseguiu uma segunda-feira, fez uma boa produção e nasceu para o sucesso. Logo depois gravava seu primeiro elepê e a repercussão de sua audácia lhe valeu que se passasse a prestar atenção em sua bonita voz. Hoje, Elymar mora num duplex, tem carro do ano e só vai em churrascaria com freguês.
Contratado pela EMI/Odeon tem novo disco na praça - "Missão - Ato de Amor" (EMI/Odeon), no qual explora o filão do romantismo - sem cair na breguice de Wando ou Benito de Paula, mas ainda sem atingir a faixa cativa de Roberto Carlos e assemelhados. Elymar tem bom gosto, seu produtor Renato Corrêa escalou bons músicos e o repertório inclui autores como Ivo Lancelloti ("Mi Canto", parceria com Jorge Simas), Moacyr / Luz / Aldir Blanc ("Por Escrito"). Claro que não faltam os sucess-makers Sullivan / Massadas ("Volta Coração"); Paulo Sérgio Valle / Chico Roque ("Espelho", "Sou Louco por Você"), Carlos Colla ("Taras e Manias", parceria com Marcos Valle). De Roberto Carlos é "Quando" e de Altay Veloso, "Amor Ateu". O próprio Elymar ataca de compositor ("Descaso" e "Artista") neste disco sem compromissos artísticos maiores mas que vale para fazer com que Elymar continue sua carreira de intérprete romântico.


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