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Airto Moreira

Airto, o melhor também para os leitores de DB

Mesmo, sem gravar há quase dois anos – em 1980, rompeu seu contrato com a Warner, descontente com o tratamento que ali estava tendo – o percussionista Airto Guimorvan Moreira, 42 anos, catarinense de Itaiópolis – mas paranaense de formação – continuam a ser o percussionista de maior prestígio nos Estados Unidos. Em agosto último, no 29º Annual International Jazz Critics Poll, da revista “Down Beat” era escolhido o percussionista do ano na opinião de 55 críticos de jazz de todo o mundo.

Observatório

LUÍS Roberto Amaral, 20 anos, inscreveu-se no I Seminário Internacional de Violão, realizado de 11 a 18 de fevereiro, na Escola de música e Belas Artes do Paraná, com humildade. Embora tocando violão há 5 anos, queria aprender com os professores ali reunidos. Mas bastou que mostrasse alguns solos para ser escolhido para fazer o concerto de encerramento aplaudido de pé pelo publico presente.

Artigo em 08.04.1992

Fabiano Carlos Zenin, 18 anos, levou um susto há alguns dias, quando reconheceu num simpático cavalheiro, de bigodes finos, que o aplaudia numa das mesas do La [Cibeles]. Era o violonista que ele mais admira - Paulinho Nogueira. Quis homenageá-lo com "Bachaninha Nº 1 " mas ficou tão nervoso que errou na harmonia, o que não impediu de ganhar elogios de Paulinho e da cantora Alaíde Costa, que à noite, no show que fizeram no Paiol, citaram Fabiano com destaque.

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Tereza Batista traz as novas e maravilhosas músicas dos Caymmis

Depois de excelente álbum da Família Caymmi, gravado em Montreaux, Suiça - lançado pela Polygram (e já entre os candidatos a um dos dez melhores do ano), a trilha sonora de telenovela "Tereza Batista" (Sigla/Som Livre) encarrega-se de tornar mais conhecidos algumas das melhores faixas daquela produção registrado ao vivo, além de catipultuar também "Amazon River", "The Wraith" e "The Desert" de (e com) Dori Caymmi de excelente álbum "Brasilian Serenata" (WEA), lançado apenas em CD e que, produzido nos EUA em 1991, ganhou indicação ao Grammy na categoria de "melhor álbum world music"

"Planet Drum", uma ONU percussiva e criativa

Apesar de Mickey Hart, ex-integrante do histórico Grateful Dead, ter seu nome destacado na capa de "Planet Drum", este álbum - premiado com o Grammy - foi resultado da fusão de talentos vindos da Nigéria a Nova York City, num encontro que ultrapassou a simples arregimentação profissional. O primeiro destaque que Hart faz é para Airto Moreira, seu amigo de muitos anos, com quem já havia trabalhado no histórico "Apocalypse Now Sessions" (*). Da Nigéria, veio Bobatunde Olatunji, com seus instrumentos de nomes estranhos como djémbe.

Airto e Flora ganham Grammy mas o Brasil fica sem saber

Nem Milton Nascimento ("Txai"), nem Dory Caymmi ("Brazilian Serenade"). Quem levou o Grammy de "Best World Music" foi o quase curitibano Airto Moreira.

O que? Por certo muitos indagarão. Afinal, toda a imprensa nacional só falou em Milton e Dory como os candidatos brasileiros à esta premiação máxima de indústria fonográfica americana e mesmo quem acompanhou atentamente as três horas em que durou a festa no Rádio City Music Hall, via Rede Globo, não viu o percussionista Airto ser mencionado entre os vitoriosos.

Vera, uma bela mulher na "cozinha" da boa música

Excetuando-se os brasileiros que procuraram a saída dos aeroportos de Viracopos (depois Cumbica), e, principalmente, o Galeão, para fazer nos Estados Unidos as suas carreiras, podem-se contar nos dedos os bateristas-percussionistas que, no Brasil, conseguiram chegar aos seus discos-solos.

Airto Moreira volta-se agora ao som espiritual e curativo

Um dos projetos mais importantes a serem lançados em CD nos Estados Unidos dentro de alguns meses terá sons curitibanos: pássaros cantando nos bosques de Santa Felicidade, águas do Saltinho e mesmo "ruídos" "capturados" nas noites do Boqueirão. Há seis meses, quando aqui esteve trazendo o então recém adquirido (no Japão) gravador DAT, com microfones da maior sensibilidade, Airto Guimorvan Moreira fez estes registros, conforme registramos com exclusividade.

Independentes resistem e agora chegam a era do CD

Ironicamente, enquanto algumas multinacionais como a WEA/Warner (aliás, hoje sem qualquer promoção no Paraná, com um catálogo basicamente do pior rock descartável) impõe o mais supérfluo pop internacional, nossos grandes talentos continuam gravando CDs (e mesmo videolaser) nos Estados Unidos, que permanecem inéditos.

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