Gente bonita para o evento da Sharp
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 03 de junho de 1988
Com a classe que a idade e a experiência de mais de 10 anos de vida artística lhe trouxeram, Eva Wilma foi a corretíssima apresentadora dos escolhidos para receberam o troféu Vinícius de Moraes. Em cada um dos oito blocos, uma das belas atrizes jovens do elenco da Globo. Uma forma bonita, elegante e prática - com todos os premiados reunidos no palco, facilitando a entrega dos troféus - já que não havia surpresas, com o anúncio prévio dos premiados na semana passada.
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Um paranaense, Elifas Andreato, foi o primeiro a receber o prêmio especial, das mãos de Malu Mader (por coincidência, também de família paranaense): melhor projeto visual (lp "Malandro", Martinho da Vila). Na categoria especial mais duas premiações especiais: "Passarim", música de Antônio Jobim, recebida por Paulinho, filho de Tom. Roberto Carlos - ao contrário do que havia prometido - não veio de Nova York - para pegar seu troféu especial como "contribuição nacional".
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Elifas também ganhou, indiretamente, mais dois prêmios: parceiro de Toquinho em "Imaginem", melhor música infantil e, "Declaração dos Direitos da Criança", melhor disco infantil. Emocionado, dedicou os prêmios à sua esposa, a bela Cleyde.
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Sivuca - que dividiu com Rildo Hora o prêmio de melhor arranjador, categoria instrumental, foi bem humorado; dizendo "dedico aos músicos para quando fizerem, fazerem bem...".
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Outro mestre albino, Hermeto (melhor grupo) foi irônico: dedicou o prêmio as rádios e televisões "que tanto divulgam minha música..."
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O gaúcho Ney Lisboa também foi satiricamente bem humorado: disse que pensava em oferecer o troféu à Fundação Roberto Marinho, "só não sei se a parte superior ou inferior..."
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Abel Silva, letrista de "Sempre Você" (parceria com Dominguinhos), melhor música, categoria regional, estava na platéia quando foi anunciado que como o acordeonista-cantor (melhor cantor) não pôde estar presente, ninguém receberia seu prêmio. Na hora, Abel correu e pegou o troféu.
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Renato Russo, letrista e líder do Legião Urbana, melhor grupo na categoria pop rock, fez questão de homenagear a Luís Melodia, na platéia, discreto e elegantemente vestido.
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Turíbio Santos, diretor do Museu Villa-Lobos e um dos maiores concertistas brasileiros, recebeu dois prêmios: melhor solista e melhor disco. Salientou o trabalho das pequenas etiquetas, como a Kuarup, de seu amigo Mário Aratanha, que editou, em CD, o álbum agora premiado - não só na promoção da Sharp, mas também em Paris. O próximo projeto de Turíbio é gravar, em CD, a obra de Bach para violão.
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Ralf, da dupla fraternal com o mano Christian, premiado na categoria regional, foi assumidamente com seu chapelão rural. E falou da importância que a premiação tem para "ser o início do fim em relação ao preconceito da música sertaneja". Na categoria regional, a revelação masculina foi Djalma de Oliveira.
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Yole, revelação na categoria MPB, lembrou os seus produtores gaúchos - Ayrton dos Anjos (o "Patinhas") e jornalista Juarez Fonseca. Agora, com esta premiação, Yole começou a deslanchar nacionalmente.
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O grande Dorival Caymmi, aplaudido de pé, membro do conselho da promoção (presidida por Mário Henrique Simonsen), recebeu o prêmio de melhor arranjador para seu filho, Dory. Foi objetivo: "É sempre bom receber um prêmio em nome de meu filho".
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Gonzaguinha veio de Belo Horizonte, para representar o pai, o velho Lua, 75 anos, melhor disco na categoria regional.
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Naturalmente, muitos aplausos para Marina (cantora e disco rock) e Gal Costa (cantora MPB), Cazuza (melhor cantor, rock), também com grandes e entusiásticos aplausos.
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Dunga, revelação na categoria de samba, com molho e humor na hora de receber o troféu das mãos de Lúcia Veríssimo. Nesta categoria, premiados Ircca (revelação feminina), Fundo de Quintal (grupo), Roberto Ribeiro (cantor), Alcione (cantora) e Ivan Paulo (arranjador).
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A rigor, nenhum agradecimento ultrapassou 50 segundos: todos extremamente rápidos.
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Vadinho, do grupo Chiclete com Banana, foi com trajes coloridos. Nem a premiação o faria envergar um smoking.
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Na saída, o poeta Hermínio Bello de Carvalho, diretor de divisão de Música Popular da Funarte fazia um comentário que não deixa de ter razão "Elizeth Cardoso, a grande presença, cantora maior, está sem gravar pela simples razão de não ter contrato com nenhuma gravadora". As contradições do disco no Brasil!
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