Observatório.
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 13 de novembro de 1980
No final do mês, quando for encerrado o (ótimo) festival de filmes europeus que a Fama Filmes promove no Cinema I, aquela casa exibidora da Rua Saldanha Marinho também fechará suas portas. Oficialmente entrará em reformas, mas como as rendas tem sido insignificantes, não se sabe quanto tempo o cinema permanecerá fechado. Com o fechamento do Bristol, há 2 semanas, e a ameaça no Avenida e Rivoli, se reduz bastante o mercado cinematografico em Curitiba de maneira que, em breve, as opções para quem curte cinema estarão ainda mais reduzidas. No Cinema I, hoje e amanhã, estará sendo projetado um filme suíço, dos mais elogiados: "Jonas que terá 25 anos no ano 2000". Seu diretor é Alain Tanner, considerado pela crítica européia o melhor realizador de seu país. Produzido em 1976 é o primeiro de uma série de produções trazidas pela Ouro, mas que tem dificuldades de lançamento fora de São Paulo, justamente pela inexistência de cinemas com programações alternativas. O tema de "Jonas" é interessante: 8 personagens se reúnem 20 anos depois dos acontecimentos de maio de 1968, em Paris, nos quais tiveram participação ativa. O título refere-se a uma criança que simboliza o futuro, as esperanças desses personagens. Jonas, que somente aparece na cena final, é um personagem estranho, "porque tem quatro pais e quatro mães", segundo o diretor Alain Tanner. Representa o amanhã dos contestadores dos anos 60, hoje quase quarentões. Segundo "Variety", "Jonas Que Terá 25 anos no ano 2000" é "um filme instigante e revelador, cheio de citações didáticas (de Rousseau, Octavio Paz, Samuel Butler, Pablo Neruda, Adrian Mitchel e Jean Piaget). Nele Tanner aparece como um dos maiores do momento".
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HOJE o artista plástico Érico da Silva, catarinense de Itajaí, mas há 25 anos radicado em Curitiba, mesmo sem deixar de pintar está diversificando suas atividades. Da primeira casa que construiu a mansão em que reside, no Pilarzinho, Érico já supervisionou a edificação de nada menos que 10 suntuosas residências. Adepto do conforto e lazer, com piscinas, campos de golfe, quadras de tênis, saúnas, cabinas para exibiçào de filmes e outras sfisticações dignas dos mais bem remunerados executivos da Califórnia, Érico desenvolveu uma tecnologia muito especial. Aprendeu como e de que maneira construir equipamentos de lazer, num trabalho direto com fabricantes e operários, de forma que encontrou um know-how que lhe possibilita reduzidos custos. Como resultado fundou uma firma, a Lazer, que se dedica a apenas construir piscinas, quadras de tênis e instalar saunas.
E, contrariando as cassandras que prevêem catástrofes econômicas, Érico diz que nunca teve tantos pedidos para equipar mansões com equipamentos sofisticados. Como ainda recentemente o mais bem remunerado arquiteto do Estado, Julio Pechmann, declarou que estava ao ponto de não aceitar mais clientes, tal o número de projetos de decoração que o seu escritório atende e todos na base de milhões de cruzeiros (recentemente Julinho fez a decoração do apartamento de um novo rico que passou dos Cr$ 12 milhões) é de se imaginar que a concentração de riqueza ainda é grande.
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JOSÉ RENATO, violonista e cantor, integrante do Boca Livre melhor grupo vocal do Brasil, segundo julgamento da revista"Playboy" fez questão de que o segundo elepe do grupo, com o título de "Bicicleta" (título de uma de suas músicas) acontecesse em Curitiba, nos dias 20 e 21, quando o mesmo estará se apresentando no Guaíra. Afinal, aqui reside o pai de José Renato, o jornalista Simão de Montalverde, veterano da imprensa carioca, ligado bastante à música brasileira e que, como bom pai-coruja, está cuidando da promoção da temporada do grupo. Aliás, o Boca Livre não tem do que se queixar: o primeiro lp, produção independente, está alcançando a casa de cem mil cópias, garantindo a cada um de seus integrantes mais de um milhão de lucro.
E o segundo lp que teve a participação de Tom Jobim no piano e Nana Vasconcelos na percussão sai com 40 mil cópias colocadas antecipadamente.
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HENRIQUE SCHWANKE, artista plástico e agora também publicitário integrando a equipe da Umuarama com razões de sobra para sorrir bastante: a sua individual na galeria Sérgio Milliet, na Funarte, Rio, foi bastante prestigiada e pessoalmente teve a maior cobertura. O crítico Frederico Morais, por exemplo, em "O Globo"(2/11), disse que Henrique é um dos mais interessantes artistas da nova geração do Paraná (mais uma vez os catarinenses perdem um artista, pois na verdade Schwanke é joinvillense) e "realizador de um trabalho meticuloso e inteligente". Já outro crítico, Geraldo Edson, disse: "muito merecido o prêmio no último salão paranaense dado a Schwanke". O colecionar Gilberto Chateaubriand foi duas vezes na galeria Sergio Milliet, impressionado com os trabalhos do artista e o cronista Rubem Braga lhe dedicou toda uma manhã, em sua cobertura na Barão da Torre, para uma longa entrevista. Outro nome de destaque que se entusiasmou pelos desenhos diferentes de Schwanke foi a cineasta Vera Figueiredo, realizadora do "Samba da Criação do Mundo", documentário sobre a Escola de Samba Beija-Flor já exibido em vários países e esposa do ator Zozimo Bulbul.
LEGENDA FOTO 1 - Maurício Maestro, Zé Renato e Tom Jobim: na gravação do 2o disco do Boca Livre.
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