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Água dá câncer

Foi sugerido ontem à Universidade Federal do Paraná para que, através de setores específicos, desenvolva pesquisas semelhantes as que vem sendo feitas em repartições especializadas americanas com relação a um tema bastante polêmico: a água como causa do câncer. O Environmental Defense Found, organismo norte-americano dedicado à defesa do meio-ambiente divulgou, recentemente, análises estatísticas, que mostram ser a mortalidade por câncer 15% mais alta nos brancos moradores de Louisiana, Sul dos EUA, que bebiam água de nascentes. Outra repartição encarregada da proteção do meio-ambiente (Environmental Protection Agency) estudando a água do mesmo rio que supre os reservatórios de Nova Orleans confirmou a presença, na água, consumida pela população da cidade de numerosos produtos químicos, alguns deles suspeitos de provocar câncer. Embora a quase totalidade desses produtos se encontrasse em baixa concentração (menos de um micrograma por litro),o clorofôrmio suspeito de ser carcinogênico, alcançava concentrações de mais de 100 microgramas por litro. O mais sério, porém, esta por ser apurado. Não se sabe ainda se o tetracloreto de carbono, que é cancerígeno para animais de laboratório, também o é para o homem. Se for, será necessário procurar outro desinfetante para purificar a água dos rios, pois o cloro, que destrói os germes da febre tifóide, cólera e outras bactérias, não mais poderá ser usado. De sua combinação com certos compostos orgânicos da água resulta o tetracloreto de carbono. Os resultados foram publicados por Jean L. Marx na revista "Science" (volume 186, páginas 809 a 811, de 29/11/74), concluindo que, embora os relatórios daquelas repartições governamentais sejam sugestivos de uma relação entre câncer e ingestão de água tratada, eles não são, de nenhuma maneira, conclusivos. Assim, diz Marx, "antes de nos alarmarmos, esperemos pelo resultado das pesquisas que a divulgação desses dados estão provocando, já em curso em várias instituições cientificas". Ao menos uma classe de pessoas gostará desta notícia: os etílicos defensores da tese de "nunca beba água/água enferruja". Xxx Paulinho Nogueira (Paulo Arthur Mendes Puppo Nogueira, 47 anos, 24 de vida musical em termos profissionais) está hoje entre os três melhores violonistas brasileiros. Pode-se discutir os nomes de outros dois mas Paulinho jamais pode ficar de fora de qualquer lista sensata. Virtuose do clássico ao popular, embora tenha se dedicado mais a este gênero, 15 elepes gravados (o primeiro na Columbia, 11 na RGE e os três últimos na Continental), Nogueira é um dos melhores carateres da música brasileira. Simples, humilde, extremamente talentosos, tem uma obra merecedora de toda atenção, onde se destacam principalmente as musicas de puras imagens infantis, como "Menino Desce Daí" e "Menino Jogando Bola" entre outras. Em seu último lp - Simplesmente", Continental, setembro/74), dedica uma musica a um tema que até hoje, praticamente, não havia inspirado nenhum compositor "a Procissão de Sexta-Feira Santa". Paulinho estréia hoje no Teatro do Paiol, para uma temporada de três dias. Xxx Há dois anos, ali esteve ao lado de Toquinho (Antônio Pecci Filho, 29 anos, seu ex-aluno) e, mais tarde, fazendo dois concertos, após um curso de violão que orientou no Centro de Criatividade. LEGENDA FOTO 1 - Paulinho Nogueira.
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
Nenhum
Tablóide
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21/03/1975

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