Observatório

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QUANDO o secretário da Segurança Pública de Sergipe defende oficialmente a volta da palmatória às escolas e admite que nos presídios de seu Estado autorizou a sua utilização - um assunto para muitas controvérsias, não deixa de ser no mínimo interessante a transcrição da lei n.º 361, que Manoel Antônio Guimarães (Paranaguá, 15/2/1913 - 16/8/1893), o Visconde de Nácar, na condição de << dignatário da imperial ordem da Rosa, comendador da de Christo e vice-presidente da providencia do Paraná >>, assinou há 107 anos passados. No dia 19 de abril de 1873, sancionava a lei pela qual fazia saber a todos os habitantes do Paraná << que a Assembléia Legislativa provincial decretou e eu sancionei a lei seguinte: Art. 1.º - É permitido o uso da palmatória nas escolas de primeiros letras para os casos em que os castigos Moraes não foram suficientes. Art. 2.º - esta permissão não excederá a seis palmatoadas em casos graves. Art. 3.º - Os professores, em caso algum, poderão delegar a aplicação deste castigo a seus alunos. Art. 4.º - Ficam revogadas as disposições em contrário. Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contem. O secretário desta província a faça imprimir, publicar e correr. Palácio da Presideência do Paraná, em 19 de abril de 1873, 52.º da indepêndencia e do Império. Manoel Antônio Guimarães >>. Nos anos 60, a presença de Cláudio Corrêa e Castro não só foi responsável pela implantação do Teatro de Comédia do Paraná como motivou ao Centro Israelita do Paraná a reativar seu departamento de teatros, graças especialmente a Moisés Fuks, diretor cultural na época (hoje ele mora em Telaviv, como assessor da prefeitura local). Cláudio dirigiu, ao mínimo, duas boas peças no CIP - << O Baile dos Ladrões >>, de Jean Anohil e << Nossa Cidade>, de Thorton Wilder. Agora, após uma longa hibernação, o grupo dos israelitas ressurge com << noitada teatral de Scholem Aleichem >>, dia 25, << às 20h30min em poto >>. Com direção Chaim Israel Jugend (Xuxe) serão apresentadas duas peças de Aleichem, uma em língua idish - << Farbitem Di Iotzres >> (com as devidas explicações em português) e << Tevie, Der Milchiker >>, trecho do musical << O Violonista no Telhado >>, com a participação do grupo folclórico Kineret. O apresentador será o empresário Henrique Knopfholz e no palco estarão nomes conhecidos da comunidade israelita: Pérola Berg-som, Bernardo Berman, Esther Guelman, Dora Sommer, satira Waszawiack, Martha Schulmann, esposa do engenheiro Maurício Schulmann, presidente da Eletrobrás, criou os vestuários. Se em Ponta Grossa o espetáculo << Rasga Coração >> não chegou a lotar o cine Ópera, em Curitiba, na sexta-feira, foram necessários cadeiras extras para atender as milhares de pessoas que foram aplaudir a Luiz Gonzaga Jr., no Guaíra. Acompanhado por excelentes instrumentistas - Ari Piassarolo (guitarra), Fredera (violão), Maranhão (baixo), Pascoal Meireles (baixo) e Jota Moraes (teclado), Gonzaguinha eletrizou o público com um repertório fascinante, mostrando seu imenso talento. Seu último elepe, lançado há duas semanas pela Odeon, já vendeu 80 mil cópias e suas apresentações têm encontrado a melhor repercussão em todas as cidades onde tem estado. Unindo o posicionamento político ao coração, Gonzaguinha apresenta músicas do melhor nível e, no final do espetáculo, ainda fez um apelo para o público colaborar com a chapa oposicionista dos empregados na indústria da construção civil. Gonzaguinha só fez 2 apresentações no Guaíra, pois ontem foi a Porto Alegre divulgar seu disco. Na próxima semana, outro evento musical importante: o concerto do Tamba Trio, na sexta-feira, 27. desde 1974, que Luisinho Eça (teclado), Bebeto (baixo) e Helcio Milito (bateria) não se apresentam juntos. Helcio voltou há um mês de Nova Iorque, onde já instalou duas boates << brazilian style >> e agora vai passar alguns meses no Brasil, junto com seus antigos companheiros do histórico trio. E, seguido a moda, vai produzir um elepê independente, para o tamba mostrar o seu som ainda atualissimo. e renovado, no bom sentido! Os adeptos da comida natural estão aumentando para alegria da sra. Célia, filha de Orfilia Rici Addami (1918-1976), que em 1969 ligou-se a macrobiótica, para curar um coágulo no cérebro e que, entusiasmada com sua melhora, inaugurou em 72 como macrobiótico um antigo restaurante vegetariano, na Alameda Cabral. Quando faleceu, sua filha e genro - Célia/Ingo, deram continuidade ao restaurante, já que a freguesia tinha aumentado muito. Tanto é que além da venda de produtos naturais, inauguraram agora mais um restaurante naturalista (Rua Saldanha marinho, 857), não tendo caráter rigidamente macrobiótico e oferecendo pratos naturais com receitas originais e exclusivas. A cozinha é com produtos sem aditivos, adultos ou conservantes químicos e no cardápio destacam-se << peito de frango à catupiry >> , << frango à Califórnia >>, além de frango e peixe grelhado e ao molho branco, afora variados pratos à base de legumes, verduras e cereais integrais. Como bebida as opções vão de sucos de frutas naturais variadas, vinhos puros de colônia até sakê japonês. Sobremesas: frutas da estação. Ou, seja, um novo endereço a quem deseja fugir das calorias. Miriam Pérsia, ex-exposa de Jardel Filho e que há 22 anos atuava num filme-marco da renovação do cinema nacional (<< O Grande Momento >>, de Roberto Santos), tem procurado vir constantemente a Curitiba, por razões bastante pessoais. Mas em agosto, estará no palco do pequeno auditório do Teatro Guaíra num espetáculo diferente: << Diário de Bordo >>, onde divide a atuação com um autor jove, um pianista Paulo Moura. Quando soube que iria estrear um espetáculo com este título, Paulinho Vítola ficou surpreso: afinal, há 4 anos, ele e Marinho Galera, apresentaram no Paiol um excelente show com o mesmo nome. A propósito de títulos: Maurício Távora mudou o nome da comédia que está ensaiando: ao invés de << Atendente a Pedidos >>, será << Bé >>, diminuitivo da personagem Berenice >> (Odelai Rodrigues), empregada doméstica, assim chamada pela patroa (Jane Martins). Ao comentários de que << Bé >>, pode lembrar, no título, << É >>, Maurício diz: - Estreou no Rio a comédia << De Cabo a Rabo >> e ninguém me consultou. E minha comédia com este título estreou em Curitiba muito tempo antes. FOTO LEGENDA 1- Cláudio Corrêa e Castro. FOTO LEGENDA 2- Gonzaguinha. FOTO LEGENDA 3- Miriam & Moura: << Diário de Bordo >>.
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
1
22/06/1980