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Aramis

No rural, a sobrevivência das gravadoras

Gravadoras essencialmente brasileiras, a Continental e a Copacabana há muito já teriam ido para o brejo se não fosse o elenco dito caipira. Na verdade, os sertanejos, urbanos e bregas tem agüentado as pontas nas muitas e cíclicas crises destas duas fábricas, que apresentam fases melhores ou piores conforme os ventos que sopram na fonografia. Uma nova e poderosa multinacional entrando no mercado de discos, a 3M, prudentemente também se voltou ao repertório rural e brega - que, no passado, atraía mesmo as sofisticadas Polygram, CBS, Odeon. A Polygram, diga-se a bem da verdade, via FONOBRÁS, tem várias representadas de artistas bregas nordestinos, de grande faturamento. Pela 3M, por exemplo, sai agora um elepê da dupla João do Reino e Jurandir, juntos há 6 anos e que antes seguiram caminhos diferentes em outras formações - como é comum na música rural / rurbana. João do Reino já foi João Mineiro e Marciano, João do Reino e Agenor, Caboclo Jú e João do Reino. Agora, com Jurandir - de menor quilometragem - vem pelo selo Terra Nova, misturando canções chorosas como o seu público gosta com o chamado "samba sertanejo moderno" - do que "Cadê Manoela" é o melhor exemplo - o ufanismo ("Sertão Gigante") ou a busca do humor ("O Pesadelo / Neto do Capeta"). Interessante o caso das irmãs Célia e Celma, irmãs gêmeas, mineiras de Ubá, que começaram a cantar ainda crianças em festas, na Rádio Educadora Trabalhista de Ubá e no coral do Colégio Sacre Coeur de Marie, onde se formaram professoras. Estudaram no Instituto Villa-Lobos e começaram a fazer carreira: participaram de um show produzido por Miele & Boscoli no Copacabana Palace, foram ao Japão com o apoio da Perfect Liberty (e lá ficaram oito meses), estiveram em Miami e, de volta do Rio de Janeiro, fizeram coro para o show de Cauby Peixoto, em sua temporada no "Asa Branca". No ano passado, dividiram com Emílio Santiago o Projeto Pixinguinha. Agora, ao fazerem seu primeiro elepê (selo Terra Nova, 3M), optaram pelo gênero sertanejo. São onze músicas inéditas e apenas uma regravação - "Sertaneja" de Ivan Lins e Victor Martins, dupla de compositores urbanos que também sabe se voltar ao rural, como provaram no belo "Bandeira do Divino". Belas, formosas, sensuais, as irmãs Célia e Celma propõem um novo visual / vocal à música, para atingir o público nacional, com composições românticas: todas as faixas falam de amor nas suas mais diversas formas. E, em duas, "Separação" e "Eu, a Felicidade e Você", participam como autoras. OS SUCESSOS DO RURAL - A nova Copacabana, reerguida de uma sofrida concordata, continua a prestigiar seus cast sertanejo e lança um pacote com "grandes sucessos" de seus artistas mais bem sucedidos em termos de vendas. Assim, de cinco elepês da dupla Chitãozinho e Xororó, estão faixas como "Se Deus me Ouvisse", "Fotografia", "Os Passarinhos", e "Majestade o Sabiá", bonita toada de Roberta Miranda com a participação de Jair Rodrigues - outro artista que está buscando a música rural para dar a volta por cima em sua carreira estagnada nos últimos anos. Roberto e Gilmar emplacaram alguns sucessos bregas como "Capa de Revista" e "Vou Buscar Rosana", as quais estão na antologia de "Os Grandes Sucessos", onde não falta também "Assino com X", "Você Não Nasceu pra Mim", e "O Abajur". Buscando a imagem de machões, muitas jóias, João Mineiro e Marciano tem seu público certo e entre os compositores que catilpultuaram [catapultaram] está até Moacyr Franco com "Seu Amor Ainda Não é Tudo" - um dos "grandes sucessos" da dupla, que, na maior parte, vem com as próprias composições de Marciano. Entre os maiores vendedores de discos da Copacabana, o Trio Parada Dura tem sete álbuns em catálogo. Destes, foram montadas 12 faixas, com êxitos como "Telefone Mudo", "O Doutor e a Empregada" e "Blusa Vermelha". Como não é possível viver só de "revivals" sertanejos, a Copacabana também traz gente ainda em busca de espaço. Como as duplas Valderi e Mizael e Iridio e Irineu. Valderi e Mizael chegam com um repertório eclético, trazendo até uma versão de um sucesso de José Feliciano ("Esta Noche"), enquanto Iridio e Irineu, boas pintas, procuram a linha brega jovem, com músicas como "Foi Tudo Culpa do Amor", "Caso Consumado", de Diana e Ronaldo Adriano, respectivamente. Bregas e que são também cantores. LEGENDA FOTO - Célia e Celma: brega belo.
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
Almanaque
Música
47
26/07/1987

Bons tempos esses em que as 2 grandes do sertanejo - copacabana e chantecler / continental, nos presentiavam todos os meses nos anos 70 80 e 90 com musica sertaneja de verdade. Falo de Verdade por causa de Tonico & Tinoco, Tião Carreiro & Pardinho, Trio Parada Dura e tantos outros milhares de duplas otimas que gravavam por essas gravadoras. Outras gravadoras como a RGE, e a Terra Nova / 3M também tinham otimo cantores. Hoje, de 2001 pra cá, desde que a globo com a Som Livre se meteu com o nosso sertanejo tudo virou merda, começou com essa merda de sertanejo ''universitário'', e pra desgosto maior lançou o CD ''Pista Sertaneja'', que pra mim fechou a tampa do caixão que a globo arrumou. Fico muito triste em ver isso acontecer, pois sou caipira de verdade e acho muito feio cantores sertanejo que nunca pisou descalço na terra, se dizer caipira e cantar sertanejo em inglês e remixado. Um Abraço e fiquem com Deus!

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